Por Mariana Rothlisberger – Planejamento e Operações do CBEXs Chapter Santa Catarina e Administradora Hospitalar com especialização em Gestão da Saúde. Durante muito tempo, se pensou no profissional de saúde puramente assistencial. Um grande erro, em se tratando de que as instituições de saúde têm caráter administrativo de alta complexidade – são responsáveis por vidas humanas e possuem diversos negócios dentro do negócio principal: hotelaria, farmácia, assistência médica, lavanderia, nutrição, entre outras áreas, todas amparadas por uma cadeia de suprimentos variada e extensa e altos custos. Paralelamente, vem de encontro a realidade da revolução 4.0, com rápidas mudanças, necessidade constante de inovação e um cliente cada vez mais exigente. Se encontramos grande parte dos profissionais da área que foram educados para o foco em assistência, como então desenvolver equipes que estejam aptas a ter a performance eficiente e eficaz que a área da saúde exige? A liderança na saúde atual precisa ter uma visão acima do seu tempo, entendendo que terá que exercer o papel de não somente comandar, mas de desenvolver e moldar os profissionais de cada setor para que sejam executivos de saúde em seus próprios negócios. Enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, engenheiros, todos serão executivos dentro das suas áreas, que fazem parte do macro negócio que é a instituição de saúde. E tudo isso mantendo a qualidade assistencial e o foco no paciente, exigências das funções assistenciais. Para fazer uma equipe multidisciplinar como esta convergir para um mesmo objetivo comum, é necessária uma liderança inspiradora que tenha capacidade de convencer as pessoas de uma visão de futuro, proporcionando uma direção clara onde todos possam trabalhar coletivamente em prol do planejamento estratégico da empresa. Este é o maior desafio do líder na saúde hoje. Por prestarmos serviços, o engajamento de todos é imprescindível para que a qualidade do atendimento seja elevada. Profissionais envolvidos na causa, que “vistam a camisa” e que alcancem os resultados que o mercado altamente competitivo exige só podem ser liderados por alguém cuja liderança seja inovadora e bastante humanizada. Destaca-se hoje o líder que consegue identificar e enaltecer as forças e caráter das pessoas e das equipes, criando um senso de propósito comum onde os liderados assumem tarefas ousadas e se responsabilizam pelos resultados porque entendem o seu papel dentro do negócio. Líderes inspiradores incomodam as pessoas que estão dentro da zona de conforto. O primeiro passo para alcançar a liderança inspiradora é se contextualizar, entendendo o ambiente e o perfil de cada pessoa dentro da equipe, podendo assim avaliar os pontos fortes, para tirar o melhor proveito deles, e os pontos a serem melhorados e trabalhados. A conectividade com as pessoas dentro da instituição de saúde tem papel muito importante nesse processo. Para trabalhar essa conectividade, o líder deve ter autoconhecimento, buscando trabalhar a sua consciência corporal e comunicação – como gesticula, como fala e como escuta. É importante entender como o impacto das percepções e sensações que irá causar nas outras pessoas terá influência direta na maneira de pensar, agir e até de ser dos liderados. O desenvolvimento da inteligência emocional ajuda muito no amadurecimento do líder inspirador em relação às suas atitudes e ações. O líder emocionalmente inteligente processa e gerencia suas emoções no ambiente de trabalho. E como isso é possível? Através do autocontrole, onde sabemos que temos domínio das nossas emoções e de como expressá-las e através da empatia, que é a capacidade de compreender as emoções das outras pessoas e se colocar no lugar delas. Utilizando o autocontrole e a empatia, conseguimos entender como nos conectarmos e nos comunicarmos com cada membro da equipe, sempre lembrando que são pessoas com personalidades, experiências e vivências diferentes e precisam ser compreendidas de maneira diferente. É claro que se espera de qualquer liderança que se tenha o conhecimento técnico adequado para o desempenho da sua função, seja na área que for. Porém, na saúde 4.0, se realça muito mais quem possui habilidades sociais e capacidade de resolução de problemas complexos do que competências técnicas ou habilidades físicas específicas. O líder da saúde precisa entender que a sua equipe é a alma da organização e precisa se inspirar para conseguir inspirar as pessoas à sua volta, através da sua paixão e comprometimento pela causa. Com o comprometimento do líder, se cria um senso compartilhado onde todos se sintam coletivamente responsáveis pelo alcance dos resultados. Mais do que nunca, é preciso fazer o que fala e ensinar e engajar pelo exemplo. Líderes que não tem atitudes condizentes com o que orientam ou cobram não conseguirão o engajamento que esperam da equipe. Sejamos resilientes para conseguir adaptar-nos às rápidas mudanças na sociedade e nas instituições de saúde e conscientes de que a melhoria dos resultados, sejam financeiros e econômicos ou éticos e morais, são responsabilidades de cada um que faz parte de um sistema. E se destaca o líder que consegue identificar essa realidade e tirar vantagem dela.
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